Monday, October 12, 2009

Céus, como eu queria que aquele pássaro pousasse de novo em meu travesseiro, como queria que ele derramasse sobre mim todo o peso de suas habilidades. Eu passaria bem de leve as mãos por suas curvas tão perfeitamente modeladas e beijaria as flores que foram deixadas sobre a minha cama! Aqui, no meu pedacinho do mundo, ainda sinto a presença calma da felicidade, bem como o som exuberante de sua música! Sempre abro dentro de mim todas as janelas possíveis para que ele volte, porque pior gaiola é aquela que se constrói dentro do peito, ali onde um músculo pulsa pela vida! Saibam que eu choro sim! Eu choro esta ausência por nós dois e espalho deste modo minhas partículas de dor e de saudade pela atmosfera úmida sem, todavia, manchar a beleza de nossos momentos, sem lamentar cada despedida necessária para o nascimento de um novo encontro. Prometi não mais atraí-lo para as armadilhas do meu abraço e, em contrapartida, ele enviou-me a mais honesta poesia: “liberdade, é o que quero dizer”.

Thursday, August 27, 2009

Pelo telefone a voz dele tocava todo o meu corpo, adentrando-se em minhas células sem pedir licença, deslizando pelo meu íntimo e rebrotando na superfície da pele com a glória dos que voltam. Foi com o coração latejando e as mãos geladas afundadas no peito que esqueci de dizer o quanto sentia saudades. Só nos encontramos quando estamos com a cabeça no mundo da lua, a nossa conexão tão secreta: em qualquer lugar que estivermos basta olharmos a lua e saberemos que estamos olhando para o mesmo lugar. Eu-ele: meu lugar preferido, meu sabor preferido. O que sinto não tem nome, mas já foi confundido com pérolas, já foi confundido com o infinito da música, com o vazio da solidão. Na seqüência abstrata de momentos de minha vida e na riqueza explícita de cada estação eu espero por ele e por todas as rainhas que habitam cada cubículo de sua existência.

Monday, August 24, 2009

Some women were made
But me, myself?
I like to think that I was created
For a special purpose...
What's more special than you feel me?

Sunday, August 16, 2009

(...) era um concreto derretido que possuía essência de promessas, promessas de rigidez para um futuro bifurcado: um lado representava a solidificação e a força dos prédios, o outro a inflexibilidade dos intolerantes. A temperatura é a responsável pela mudança do estado físico das matérias. Temperatura e pressão. Mas é doído demais descobrir que calejar-se era o melhor caminho para a busca de si mesmo – a fortaleza fatalmente almejada, ali ao alcance das mãos, na colisão sublime de temperatura e pressão. Será? Justo ele que nega o tempo todo a beleza de sua arte para que, em contrapartida, o outro a engrandeça em forma de gracejos: “você escreve bem”. Justo ele que já carrega nos ombros juvenis e emborcados o peso de um cansaço íntimo, agora tem de suportar o calor do próprio corpo esguio a transbordar pela pele em forma de lágrimas, mas nunca, nunca derrama-las no mundo através dos olhos. Se for falar dos olhos daquele sujeito, então que jamais sua cor de grama-do-vizinho seja deixada de fora, que jamais a vulgaridade tão doce daquele olhar seja deixada de lado! Aquelas janelas sempre semi-cerradas (ou semi-abertas?) olhava-se mais por dentro, pois quando olhava pra fora vez ou outra confundia-se com as calçadas, ou até com vales profundos e deixava-se cair em terrenos estrangeiros. Ele tinha certeza de que enviaram para protegê-lo um anjo bêbado e irremediavelmente distraído, cuja companhia o arrasta ora para os bares imundos das cidadelas, ora para o buraco sem fim dos livros. Já lhe disseram que não é honesto esconder-se por trás da intelectualidade, mas ele desconhece a beleza existente na exposição da nudez da alma ou de um sentimento verdadeiro. O Eu escancarado através do verbo explícito: foda-se a poesia, foda-se as entrelinhas e o abstrato. O mundo quer suas víceras e seus pêlos totalmente entregues. O mundo quer recusá-lo ou torna-lo herói, pouco importa! Valerá a pena, desde que as nuances e sutilezas sejam verdadeiras, desde que a leveza de sua existência consiga preencher lugares vagos (...)

Wednesday, July 08, 2009

Não entendia como alguns seres humanos podiam ser tão rasos, tão insensíveis a ponto de condenar a arte e a intelectualidade. Como as pessoas são, no geral, sem graça! Sempre submetidas às suas feiúras, dia após dia, repudiando a solidão porque não suportam a própria companhia por muito tempo. Permitem que suas almas ressequem, jamais são acometidas por inquietações, abandonam uma juventude que é urgente: o sorriso gratuito, a guerra de travesseiros, o andar saltitante e a capacidade para perceber o colorido das coisas dançar diante dos olhos.
Eu vos convido, ela dizia, a escapulir da inércia sendo levados junto aos ventos, entregando-se à força de todos os mares e à nudez de um sentimento verdadeiro. Ela estava feliz da vida, tão feliz que estremecia! Lançava no mundo risos recheados de calor e de imensidão, enquanto que o mundo lançava sobre ela chuva fininha que escorria pela pele branca, que enrijecia seus poros e aquelas fibras fortes. Seus dentes bárbaros estavam escancarados para o mundo e os braços abertos para o amor! A vida é isto, pensava, é a sensibilidade tão rara, a profundidade e a busca pela beleza das coisas.
Julian, obrigada pelos comentários feitos sobre este texto! (Ah, não consigo fazer parágrafo neste blog. hihihi)

Monday, June 01, 2009

O inferno nem é tão longe...

Friday, May 15, 2009

Ele se assustou porque o choro veio fácil e olhava deslumbrado o filete que escorria na porcelana. Estranha era essa criatura que vinha de outro planeta, pensava, porque ela se atentava a todos os detalhes possíveis para depois transforma-los em poesia e, além disso, tinha esse olhar de despedida que muito parecia um ritual de incertezas! Ela, por sua vez, esforçava-se para aprender com ele que as pessoas são da terra e nela permanecem, enquanto que o coração, este derrete-se e reconstitui-se a todo o instante, como a fênix inevitável da paixão. “Não esperar nada de ninguém”. Mas isso só faria sentido mais tarde.